O aquecimento global vem afetando a vida até nas áreas mais geladas da Terra, na qual Mamãe ursa e seus filhotes tem apenas uma cor a primavera no Ártico. O sol arde sem descanso, 24 horas por dia. O gelo até derrete, mas, a qualquer momento, a nevasca pode branquear tudo de novo. O pulo de -50ºC para -10ºC ou -20ºC não chega a criar um clima exatamente quente. uma variação na temperatura de 30ºC à 40ºC.Seres tropicais, como nós, congelam na primavera polar. Para os nativos inuit, que o mundo costuma chamar de esquimós, é hora de botar as manguinhas de fora. A neve é a praia da criançada. Quem chegar primeiro passeia no trenó. Brincadeira infantil, igual em qualquer parte do mundo, descontado o detalhe do gelo, onde eles correm descalços. Isso sim que é vida, parece dizer o povo do Ártico canadense. É a melhor época do ano para aquele passeio em família, esquentar os laços com um refrescante acampamento no gelo. Para quem fica, tem a Festa da primavera!
A população mal passa de 200 habitantes em Resolute Bay, a cidade mais ao norte do Canadá. Mas esse é um centro importante, a última parada do Ártico para os grandes jatos. Dali para frente, só com avião pequeno e preparado para pousos no gelo. Cientistas, aventureiros e jornalistas fazem de Resolute um portal do topo do mundo. Por isso, além de neve e gelo, a paisagem também é rica em montanhas... de malas.
Os inuit não usam mais os cães para transporte, só mesmo quando se trata de alguma expedição para caçadores, que querem silêncio para chegar mais perto dos animais. Os huskies viraram bichinhos de estimação.
No Ártico canadense, as motos de neve substituíram os cães à frente dos trenós. E para botar os pés na estrada fria, é melhor aceitar o curso rápido de condução no gelo.
Na expedição do Globo Repórter, estavam um aventureiro profissional, o biólogo canadense Jim Allan; o filho dele, Blaiden, de 11 anos, na sua primeira aventura polar; e o fotógrafo americano Anthony Cook. E, para garantia extra, dois experientes guias esquimós devidamente armados com seus rifles – nossa única defesa contra o risco de um ataque de ursos polares.
Numa caixa, levamos o que talvez fosse a mais importante de toda a bagagem: uma superlente para filmar os ursos polares. Assim, não precisamos chegar tão perto deles nem eles de nós, claro!
Partimos com muitos planos, cheios de boas intenções. Mas, no Ártico, nunca se sabe o que vem pela frente. A 24 quilômetros do vilarejo, encontramos os sinais que estávamos procurando. As pegadas eram nítidas. Um, talvez dois ursos, diziam os guias. Provavelmente um adulto e um filhote. Mas o sinal mais evidente era um rastro vermelho na neve. A cabeça de uma enorme foca anelada fora devorada pelo urso, que passou pelo local antes de nós. Os esquimós aproveitaram e recolheram o que restou do animal.
Para os caçadores, é uma excelente oportunidade para aproveitar a pele e a gordura do animal. A carne foi dada para os cachorros. Mas, para nós, era a maior prova de que o urso polar estava ali perto. Fomos atrás da trilha.
Os sinais da primavera rasgam o gelo. As fendas são uma ameaça constante. Riscos de uma queda inesperada, um mergulho mortal na água abaixo de zero, que só não congela porque é salgada. Nossa segurança estava nas mãos dos guias. Enquanto evitavam as armadilhas do degelo, eles pareciam esquecer que tinha gente na garupa.
O cinegrafista Marco Antonio Gonçalves não imaginava que teria de filmar naquelas condições. Mas, quando um esquimó avista um urso, mil anos de tradição caçadora falam mais alto do que qualquer apelo do passageiro.
A lente estava cheia de neve, mas dava para ver algo no horizonte. As motos dispararam entre os montes de gelo. Os caçadores não queriam perder a pista e aceleraram atrás dos bichos. Não era só um – tratava-se de uma família: uma fêmea com dois filhotões. Próximos do seu primeiro aniversário, deviam ser frutos do namoro na última primavera polar. Acompanhamos tudo meio sem fôlego, da garupa saltitante das motos.
Esses são considerados mamíferos marinhos, porque passam mais da metade da vida na água. O nome científico, inclusive, é Ursus maritimus. Mas, como deu para ver claramente, os ursos polares se viram muito bem no chão. As motos de neve custam a passar de 30 quilômetros por hora, e um urso polar pode correr a até 40 quilômetros por hora!
Os filhotes acompanham o ritmo. Leves e ágeis, são capazes de correr, inclusive, de adultos machos, que não pensam duas vezes na hora de matar a fome com as próprias crias da espécie.
Os caçadores cercaram o grupo e tentaram forçar uma parada, mas mamãe ursa reagiu como qualquer mãe com a cria ameaçada: correu sem descanso. Nós só queríamos imagens. Mas, para um inuit, urso é urso. E os caçadores usam sua técnica milenar para perseguir o animal. Chega a dar pena. Então, de comum acordo, decidimos parar para, literalmente, não matar os bichos do coração. Deixamos a bela família seguir seu rumo em paz.
Os inuit não usam mais os cães para transporte, só mesmo quando se trata de alguma expedição para caçadores, que querem silêncio para chegar mais perto dos animais. Os huskies viraram bichinhos de estimação.
No Ártico canadense, as motos de neve substituíram os cães à frente dos trenós. E para botar os pés na estrada fria, é melhor aceitar o curso rápido de condução no gelo.
Na expedição do Globo Repórter, estavam um aventureiro profissional, o biólogo canadense Jim Allan; o filho dele, Blaiden, de 11 anos, na sua primeira aventura polar; e o fotógrafo americano Anthony Cook. E, para garantia extra, dois experientes guias esquimós devidamente armados com seus rifles – nossa única defesa contra o risco de um ataque de ursos polares.
Numa caixa, levamos o que talvez fosse a mais importante de toda a bagagem: uma superlente para filmar os ursos polares. Assim, não precisamos chegar tão perto deles nem eles de nós, claro!
Partimos com muitos planos, cheios de boas intenções. Mas, no Ártico, nunca se sabe o que vem pela frente. A 24 quilômetros do vilarejo, encontramos os sinais que estávamos procurando. As pegadas eram nítidas. Um, talvez dois ursos, diziam os guias. Provavelmente um adulto e um filhote. Mas o sinal mais evidente era um rastro vermelho na neve. A cabeça de uma enorme foca anelada fora devorada pelo urso, que passou pelo local antes de nós. Os esquimós aproveitaram e recolheram o que restou do animal.
Para os caçadores, é uma excelente oportunidade para aproveitar a pele e a gordura do animal. A carne foi dada para os cachorros. Mas, para nós, era a maior prova de que o urso polar estava ali perto. Fomos atrás da trilha.
Os sinais da primavera rasgam o gelo. As fendas são uma ameaça constante. Riscos de uma queda inesperada, um mergulho mortal na água abaixo de zero, que só não congela porque é salgada. Nossa segurança estava nas mãos dos guias. Enquanto evitavam as armadilhas do degelo, eles pareciam esquecer que tinha gente na garupa.
O cinegrafista Marco Antonio Gonçalves não imaginava que teria de filmar naquelas condições. Mas, quando um esquimó avista um urso, mil anos de tradição caçadora falam mais alto do que qualquer apelo do passageiro.
A lente estava cheia de neve, mas dava para ver algo no horizonte. As motos dispararam entre os montes de gelo. Os caçadores não queriam perder a pista e aceleraram atrás dos bichos. Não era só um – tratava-se de uma família: uma fêmea com dois filhotões. Próximos do seu primeiro aniversário, deviam ser frutos do namoro na última primavera polar. Acompanhamos tudo meio sem fôlego, da garupa saltitante das motos.
Esses são considerados mamíferos marinhos, porque passam mais da metade da vida na água. O nome científico, inclusive, é Ursus maritimus. Mas, como deu para ver claramente, os ursos polares se viram muito bem no chão. As motos de neve custam a passar de 30 quilômetros por hora, e um urso polar pode correr a até 40 quilômetros por hora!
Os filhotes acompanham o ritmo. Leves e ágeis, são capazes de correr, inclusive, de adultos machos, que não pensam duas vezes na hora de matar a fome com as próprias crias da espécie.
Os caçadores cercaram o grupo e tentaram forçar uma parada, mas mamãe ursa reagiu como qualquer mãe com a cria ameaçada: correu sem descanso. Nós só queríamos imagens. Mas, para um inuit, urso é urso. E os caçadores usam sua técnica milenar para perseguir o animal. Chega a dar pena. Então, de comum acordo, decidimos parar para, literalmente, não matar os bichos do coração. Deixamos a bela família seguir seu rumo em paz.
Reportagem: Ernesto Paglia
Clique e assista ao vídeo:http://globoreporter.globo.com/Globoreporter
Só de pensar em uma variação na temperatura de 30ºC à 40ºC durante um dia, sendo que já reclamamos quando a temperatura cai 10ºC. Estamos no paraíso...

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